Odallus, o jogo independente mais dark do Brasil

O game Odallus é tão dark e retrô quanto possível. Desde a primeira cena, já vemos o que parece ser um culto maligno sacrificando uma criança, com direito a símbolos misteriosos, pessoas de capa e um velho muito bizarro. Tudo isso em pixel art que respeita as limitações de cores do NES.

Desenvolvido pelo JoyMasher, estúdio indepentende de desenvolvimento de games fundado por Daniel Dias e Thais Weller em 2012, Odallus é o sucessor de Oniken nesta trajetória incrível de criação de games retrô brasileiros.

Um dos elementos que mais chama a atenção em Odallus são as referências. É claro desde o início que o game é uma homenagem e tanto à série Castlevania, sendo inclusive considerado o “melhor jogo de Castlevania dos últimos tempos”.

O game conta com skins de personagens icônicos como o Simon Belmonte de Castlevania, Arthur de Ghosts ‘n’ Goblins (com direito a saltos no mesmo estilo) e Firebrand de Demon’s Crest. Além disso, Odallus possui várias semelhanças com o mangá Berserk, que também se passa em um mundo dominado por demônios.

A história de Odallus é simples, mas cativante. Em uma terra abandonada pelis deuses, a escuridão começou a se espalhar, coletando almas humanas. O guerreiro Haggis, que perdeu sua esposa, cuidava do seu filho em uma rotina pacata, até que sua vila foi atacada e levaram o menino.

Haggis, então, segue em uma missão através desse mundo obscuro em busca de seu filho, encontrando mensagens misteriosas e monstros que carregam pedaços de uma misteriosa pedra vermelha.

O jogo, que se encaixa principalmente nos gêneros ação e aventura, segue o estilo exploração de mundo aberto em plataforma. O mapa conta com mais de um caminho diferente e você pode voltar e seguir adiante buscando itens secretos, passagens bloqueadas e segredos. Ou seja, Odallus também pode ser considerado um game metroidvania (muito bom, por sinal).

A jogabilidade é bem simples, mas muito precisa e fluida. Se você está acostumado com os games de Castlevania, que provavelmente é o público esperado pelo JoyMasher, não terá mistério algum. Com um botão você ataca, com outro você pula, com outro usa item.

Um detalhe interessante é que cada tipo de arma tem uma trajetória diferente. Mais especificamente, os machados são lançados para frente, as lanças para cima, por aí vai, de forma que você provavelmente vai querer variar o método de ataque de acordo com a localização e estratégia do inimigo.

A pixel art do jogo é uma atração a parte. O estúdio JoyMasher realmente se esforçou para criar um jogo com cenários diversos e completos. Há uma enorme riqueza de detalhes e, ao mesmo tempo, grande fidelidade às limitações dos jogos antigos.

E, por mais que os cenários variem, todos transmitem o mesmo sentimento dark que assola o mundo de Odallus. É um mundo amaldiçoado, e você sabe disso.

Há também uma grande criatividade na criação dos monstros, em especial os chefes, que são bem nojentos e parecem muito com os apóstolos de Berserk. Sem dúvidas, a maioria das jogadores vai querer destruir essas desgraças assim que elas aparecerem na tela.

O veredito é: se você gosta de games retrô e metroidvania, você precisa jogar Odallus. O game é muito bem feito, e com certeza aproveita o aprendizado que a equipe adquiriu em Oniken, mostrando uma verdadeira evolução no JoyMasher.

A arte é linda, a animação é excelente, as cutscenes são intensas, as personagens interessantes, o mundo envolvente e, acima de tudo, a jogabilidade é ótima. É um título que não deve passar em branco (e essa cor você não verá muito no game).

Odallus foi lançado na Steam em julho de 2015. Você pode comprar o game em um pack do estúdio JoyMasher, levando Oniken junto. Aproveite!

Confira o trailer oficial de Odallus:

https://www.youtube.com/watch?v=QhQ9NbuAOwI

Written by: Escritor MaxRender

Revista Brasileira de Computação Gráfica com foco nos melhores projetos nacionais e eventos.

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