Uma conta simples ajuda a entender o tamanho de O Bosque Selvagem. A equipe de animação da LAIKA levou 231 semanas para fazer os 2.804 planos do filme, todos movidos à mão, quadro a quadro, com bonecos de verdade em cenários de verdade. Dá pouco mais de 12 planos por semana para o estúdio inteiro. Segundo a Rolling Stone Brasil, um dos animadores dessa equipe é o mineiro Thiago Calçado, nascido em Uberaba, que trabalha no longa dirigido por Travis Knight. O filme chega aos cinemas americanos em 23 de outubro e aos brasileiros em 29 de outubro, com distribuição da Imagem Filmes.

Equipe de animação LAIKA
Equipe LAIKA

Thiago não é novato nesse tipo de produção. Ele foi animador sênior de Pinóquio (2022), a versão em stop-motion de Guillermo del Toro que ganhou o Oscar de melhor animação em 2023, e foi ele quem animou a Morte, personagem com voz de Tilda Swinton. Antes disso, já tinha trabalhado com Knight em Kubo e as Cordas Mágicas (2016), também da LAIKA. A reportagem não detalha quais personagens ele anima no filme novo, mas o caminho dele mostra como um nome de Minas Gerais chegou a algumas das produções mais respeitadas do stop-motion no mundo.

A LAIKA, sediada no estado americano do Oregon, é o estúdio de Coraline e ParaNorman, e O Bosque Selvagem é seu primeiro longa desde Link Perdido, de 2019. A história, baseada no livro de Colin Meloy com ilustrações de Carson Ellis, acompanha Prue, que entra numa floresta misteriosa com o colega Curtis para resgatar o irmão mais novo, levado por corvos. No original, o elenco de vozes tem Carey Mulligan e Jacob Tremblay, e na versão brasileira Prue e Curtis ganham as vozes de Giulia Benite e Pedro Burgarelli. O trailer de Wildwood bateu 88 milhões de visualizações em maio, sinal de que o público estava esperando.

Penso muito em como o stop-motion resiste. Num momento em que a indústria discute quanto tempo a IA consegue cortar de cada etapa, um estúdio passou mais de quatro anos movendo bonecos milímetro por milímetro, e ainda assim encontrou espaço para um animador do Triângulo Mineiro. Thiago resumiu o trabalho à revista dizendo que "a gente faz filme para contar uma história que toque o coração das pessoas", e quem for ao cinema no dia 29 vai ver 2.804 tentativas disso, uma de cada vez.