A animação brasileira tem talento, tem escola e tem festival de sobra. O que falta é vitrine que junte tudo isso na frente de quem decide, distribuidor, comprador de streaming, comissão de fundo. O ANIMAGE tenta ser essa vitrine, e a edição de 2026 acabou de divulgar a seleção.

Os números dão a dimensão. Foram 3.259 filmes inscritos, de 108 países, dos quais o festival escolheu 10 longas e 116 curtas para a 16ª edição, que acontece em Recife entre 20 e 29 de novembro. Para um festival de nicho, sediado no Nordeste, atrair mais de três mil inscrições internacionais não é pouco.

A novidade estrutural é a Sessão Petrobras, uma competição de longas-metragens que entra na programação oficial ao lado da tradicional mostra de curtas. Isso importa porque longa de animação é o formato mais caro e mais difícil de financiar no Brasil, e ter uma competição dedicada dá visibilidade a projetos que geralmente ficam anos parados esperando dinheiro. Entre os selecionados está um novo trabalho de Otto Guerra, um dos nomes históricos da animação autoral do país.

O festival também roda o ANIMAGE Conecta, um espaço de mercado onde projetos em desenvolvimento apresentam para produtores e investidores. É a parte que menos aparece na cobertura, mas é onde negócio de verdade acontece. Vale lembrar que o setor depende disso, como mostrou o longo caminho de um longa nacional de ficção científica animada.

Para quem trabalha ou estuda animação, vale acompanhar a lista completa e, se der, ir a Recife em novembro. Festival não é só premiação, é o lugar onde se descobre com quem trabalhar no próximo projeto. E para o setor, quanto mais forte o ANIMAGE fica, mais fácil defender que animação brasileira merece política pública estável.