A Birdo Studio nasceu em 2005 com dois computadores, um fax e duas pessoas, Luciana Eguti e Paulo Muppet, que resolveram abrir um estúdio depois de anos animando juntos numa produtora de internet. O que me chama atenção não é a origem modesta, isso é comum em qualquer estúdio pequeno. É o que veio depois.
Em 2012, a Birdo venceu uma concorrência nacional pra criar os mascotes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de 2016. Vinícius, o mascote olímpico, e Tom, o paralímpico, batizados em homenagem a Vinícius de Moraes e Tom Jobim, saíram do estúdio paulistano e viraram a imagem oficial do Brasil pra bilhões de pessoas assistindo aos Jogos. Não é exagero dizer que foi o maior projeto de animação de personagem já encomendado a um estúdio brasileiro até aquele momento.
Hoje a Birdo tem mais de 60 funcionários, entre designers, animadores, diretores e produtores, e presta serviço de animação pra clientes como Disney, Cartoon Network e Nickelodeon, além de campanhas pra marcas como Mercedes-Benz, Fiat, Coca-Cola e Sony. São mais de 80 projetos entre longas, curtas e clipes musicais. O que isso mostra é que o mercado internacional de animação não trata estúdio brasileiro como fornecedor barato, trata como parceiro criativo de peso, quando a qualidade de personagem está no nível certo.
Vale acompanhar a Birdo porque ela é prova de que animação de personagem bem feita no Brasil não depende de orçamento hollywoodiano pra competir lá fora. O caminho que a Birdo abriu, sair de encomenda publicitária pra propriedade intelectual de peso internacional, é o mesmo que outros estúdios de animação brasileiros deveriam estar tentando percorrer agora.