O que me chama atenção em 2026 não é só o aumento de preço de um console isolado, é o fato de PlayStation, Xbox e Nintendo terem subido preço praticamente na mesma janela de tempo. Quando os três fabricantes mexem no bolso do consumidor no mesmo ano, geralmente não é decisão isolada de marca, é resposta a uma pressão de mercado que atinge a indústria inteira.

A Sony já aplicou o segundo aumento do PS5 em menos de um ano, em 2 de abril, levando o modelo padrão de 549,99 para 649,99 dólares e a versão Digital de 499,99 para 599,99 dólares, citando alta de cerca de 60% no custo de memória DRAM desde 2025. A Microsoft confirmou o terceiro reajuste do Xbox em cerca de quinze meses, valendo a partir de 1º de agosto, com o Series X chegando a 799,99 dólares e o Series S a 499,99 dólares. A Nintendo, mais comedida, sobe o Switch 2 de 449,99 para 499,99 dólares a partir de 1º de setembro, atribuindo o ajuste a condições de mercado ligadas à escassez de memória impulsionada pela demanda de IA.

O que vejo aqui é o mesmo componente no centro dos três anúncios, memória DRAM. A corrida por infraestrutura de inteligência artificial está disputando com a indústria de games a mesma cadeia de fornecimento de chip de memória, e quem perde essa disputa por escassez é o consumidor final, que paga a conta em forma de hardware mais caro em três plataformas ao mesmo tempo.

Pra quem trabalha com venda ou distribuição de hardware no Brasil, vale acompanhar de perto, porque um reajuste sincronizado desse tamanho tende a se repetir enquanto a pressão por memória de IA não arrefecer. O preço de console virou reflexo direto de uma disputa que nem começou nos games, e que não dá sinal de terminar tão cedo.