A Troll VFX, estúdio da Finlândia, divulgou o breakdown de efeitos visuais de Thrash, um thriller de sobrevivência com uma premissa exagerada e ótima. Uma cidade litorânea é inundada por um furacão, e aí os personagens descobrem que a água que subiu está cheia de tubarões famintos.
A intuição diz que o trabalho pesado do estúdio foi nos tubarões, mas o breakdown mostra que a maior parte do esforço foi na água. A Troll VFX recriou a enchente que vai engolindo a cidade aos poucos, uma parede de água que estoura a janela de uma casa, gente em barco e até um carro boiando, tudo com a tempestade acontecendo em volta.
Simular água de forma convincente é um dos problemas mais difíceis de computação gráfica. Ela precisa ter volume, peso, espuma, respingo e reflexo certos, e ainda reagir a tudo que encosta nela, o barco, a parede, o corpo. Errar em qualquer um desses pontos e o cérebro do espectador percebe na hora que aquilo é falso.
O que o próprio estúdio destaca é que boa parte desse VFX é invisível. Ninguém deve olhar para a cena e pensar uau, efeito especial. A meta é fazer você acreditar que a rua está mesmo alagada e que aquela água pesa. Quando funciona, ninguém comenta, e quando falha, todo mundo sente.
Isso tem tudo a ver com um assunto que apareceu por aqui há pouco, quando um paper da SIGGRAPH Asia juntou simulação de mar em 2D com respingo em 3D. A pesquisa e a produção estão empurrando o mesmo problema, fazer água grande parecer água de verdade sem gastar uma eternidade de render.
Vale assistir ao breakdown de Thrash com calma. O trailer vende os tubarões, e o mérito técnico está na espuma da beira da enchente.