Phil Rogers, CEO da Embracer desde 2025, deu uma entrevista dizendo que espera que a confiança na empresa esteja melhorando e que a opinião do mercado sobre ela seja melhor daqui a um, dois, cinco anos. Ele chamou os últimos anos de experiência humilhante. Vale lembrar do que exatamente ele está pedindo para deixar para trás.
Em 2023, a Embracer estava fechando um aporte de cerca de US$ 2 bilhões com um grupo ligado à Arábia Saudita. O negócio caiu na última hora, e a empresa, que tinha crescido comprando estúdio atrás de estúdio, entrou num programa de reestruturação que fechou ou vendeu dezenas de estúdios, cancelou 29 jogos não anunciados e cortou milhares de vagas. Desde então, foram três divisões societárias, a última em abril deste ano, quando a Fellowship Entertainment, dona de Kingdom Come, Tomb Raider e da marca O Senhor dos Anéis, virou empresa separada.
O que torna esse caso interessante é que a Embracer nunca foi uma produtora no sentido comum. Era um veículo financeiro que juntava estúdios, esperando que o valor da soma fosse maior que o das partes. Quando o dinheiro barato acabou, esse modelo desmontou rápido, e o custo foi pago por gente que trabalhava em jogos que nada tinham a ver com a estratégia de aquisição lá do topo. Só a Crystal Dynamics passou por rodadas seguidas de demissão, e a Eidos Montreal teve a quarta desde 2024 em março.
Pedir confiança de volta é o passo lógico para quem quer atrair investidor e talento de novo. Mas confiança de mercado e confiança de quem pode ser demitido na próxima rodada são coisas diferentes. A primeira depende de resultado trimestral e a segunda depende de a Embracer parar de tratar estúdio como item de planilha, e isso é bem mais difícil de provar numa entrevista. Entendemos a complexidade, mas vamos seguir acompanhando o desenrolar dessa história.