O pedido parece pequeno quando aparece numa lista de reivindicações sindicais, ao lado de salário e horário. Só que, na Wizards of the Coast, ele diz muito sobre o momento da indústria criativa. As equipes de Dungeons and Dragons e o Team X, que cuida de Magic: The Gathering e Duel Masters, anunciaram que vão entrar no sindicato UWOTC-CWA, formado em abril pelo time de Magic Arena. A notícia foi dada pela IGN e repercutida pela GamesIndustry.biz em 7 de outubro. Numa petição, os trabalhadores escrevem que a liderança tem pressionado pela adoção de modelos de linguagem e IA generativa sem considerar o que as equipes querem, e que isso precisa parar.
A Wizards, que pertence à Hasbro, tem até 13 de outubro para reconhecer voluntariamente o sindicato ampliado. Da primeira vez, quando só o time de Arena tinha se organizado, a empresa não reconheceu, e os trabalhadores precisaram vencer uma eleição formal. Se a recusa se repetir, o caminho volta a ser o Conselho Nacional de Relações Trabalhistas dos EUA, com nova votação. Em maio, a empresa chegou a avisar os funcionários de que, com um sindicato, eles poderiam terminar com mais, com o mesmo ou com menos do que tinham.
Há uma segunda exigência que diz respeito a qualquer artista. Hoje, segundo o sindicato, se um funcionário cria algo no tempo livre, com recursos próprios, a Hasbro pode reivindicar a propriedade. Os trabalhadores querem que o que é feito fora do expediente pertença a quem fez. O movimento segue uma onda de organização que já chegou a grandes casas do setor, como a Blizzard, cujo sindicato ratificou o primeiro contrato coletivo.
Tem algo de estranho numa política de IA que precisa ser conquistada por negociação coletiva. Magic e Dungeons and Dragons venderam por décadas a arte de ilustradores e o texto de escritores como parte do produto, e o fã de carta e de livro de regras sempre soube o nome de quem desenhou o dragão. Agora os autores dessas peças pedem, por escrito e com respaldo legal, uma regra que proteja o próprio ofício dentro da empresa que vive dele. O prazo de 13 de outubro vai dar o primeiro sinal de como a Hasbro pretende responder a isso.