O que me chama atenção nessa denúncia não é a novidade do tema, é o timing. Três membros do Rockstar Game Workers Union relataram ao site Game Developer que a empresa segue normalizando crunch, mantendo bônus opaco e deixando o gap salarial entre gêneros crescer, tudo isso na reta final de produção de GTA 6, o jogo mais esperado da história recente da indústria.
Segundo os relatos, a diferença entre salário mediano de homens e mulheres na Rockstar aumentou, e iniciativas internas que tentavam corrigir esse desequilíbrio foram abandonadas. O sistema de bônus também virou alvo de crítica, já que representa parte considerável da remuneração anual, mas varia sem explicação clara, deixando funcionário sem previsibilidade sobre quanto vai receber de fato no fim do ciclo. Relatos apontam semana de crunch podendo chegar a 80 horas antes do lançamento.
O detalhe mais revelador talvez seja o histórico recente entre Rockstar e sindicato. Em outubro de 2025, a empresa demitiu mais de trinta funcionários que tentavam se sindicalizar através do Independent Workers' Union of Great Britain, e um tribunal trabalhista já decidiu contra a Rockstar, mantendo o direito dos funcionários de alegar prática de blacklist contra quem participa de atividade sindical.
A Take-Two, controladora da Rockstar, recebeu pedido de reconhecimento voluntário do sindicato e afirmou que valoriza diálogo aberto com todas as partes interessadas. Vale acompanhar se esse diálogo produz mudança real antes do lançamento de GTA 6, marcado pra novembro, ou se a pressão só aumenta conforme a data se aproxima.