Se alguém listar os anúncios mais comentados da gamescom 2026, boa parte deles vai ser de jogos que já existem. The Witcher 3 ganhou remaster, Heroes of Might and Magic 3 ganhou remake, Rayman Legends ganhou uma versão 3D, e Resident Evil Code Veronica segue em produção. Foi uma feira em que o passado apareceu mais do que o futuro.
Isso não é acaso nem preguiça. É cálculo. Fazer um jogo novo hoje custa caro, demora anos e briga por atenção num mercado que não cresce mais como cresceu. Um remake parte de um design testado, de uma marca que o público reconhece e de um risco de marketing muito menor. Já tratei disso quando escrevi que remakes dominaram 2025, e 2026 só confirmou a tendência, agora com nomes ainda maiores.
O detalhe que muda a leitura é a variedade de rótulos. Remaster, remake, reconstrução, versão retold. Cada palavra tenta sinalizar o quanto o jogo foi mexido, de uma atualização de textura a uma refação completa de engine. O público aprendeu a desconfiar, porque o mesmo termo já cobriu trabalhos muito diferentes.
Tem um custo silencioso nisso tudo. Cada equipe alocada num remake é uma equipe que não está criando uma franquia nova. No curto prazo funciona, porque o remake vende e paga a conta. No longo prazo, a indústria fica dependente de um catálogo dos anos 1990 e 2000 que não é infinito. Uma hora os clássicos acabam.
Fico pensando no que a gamescom de 2036 vai anunciar. Se a lógica atual continuar, talvez sejam remakes dos remakes que vimos esta semana. E aí a pergunta deixa de ser sobre nostalgia e passa a ser sobre o que a indústria ainda sabe fazer do zero.