Tem algo curioso em descobrir que a gamescom 2026 esgotou todos os 233 mil metros quadrados de área de exposição antes mesmo de o evento abrir as portas em Colônia, na Alemanha, entre 24 e 30 de agosto. Não lembro de outro ano em que isso tivesse acontecido, e talvez seja esse o detalhe que passa despercebido no meio da empolgação com o line-up.
A gamescom é a maior feira de games do mundo, um evento que mistura publico geral, imprensa e industria em Colônia, reunindo editoras como Xbox, PlayStation, Nintendo, Ubisoft, Capcom, SEGA, Bandai Namco e dezenas de pavilhões de países inteiros. A conferencia pra desenvolvedores acontece dia 24, a Opening Night Live de Geoff Keighley no dia 25, e só depois o evento abre ao público geral. O tema deste ano, Games Spark Excitement for the Future, quase soa irônico diante do esgotamento total de estandes, porque o futuro que a gamescom projeta parece, ele mesmo, mais concorrido do que nunca.
O que me deixa pensando é o retorno da Nintendo. A empresa passou anos evitando o formato de estande gigante em Colônia, preferindo controlar sua própria narrativa em eventos menores e mais fechados. Confirmar presença agora, justamente no ano em que o espaço físico ficou escasso, não parece coincidência. Talvez a gamescom tenha voltado a valer o investimento justamente porque o público presencial virou um ativo raro numa indústria que migrou quase tudo pra tela.

Isso contrasta com um discurso que ouço direto há uns dois anos, o de que feira física perdeu relevância frente a anúncios digitais soltos ao longo do ano. Só que aqui está uma feira lotando o espaço disponível e puxando de volta uma editora que tinha se afastado. Acho que o que a gente está vendo não é o retorno do modelo antigo, é uma redefinição de pra que serve estar fisicamente presente quando qualquer anúncio já rodou nas redes antes mesmo do estande abrir.
Fica a pergunta que a gamescom 2026 não responde sozinha, ela só expõe. Se o espaço físico estava mesmo perdendo peso, por que virou o bem mais disputado da indústria justo agora?