Tem um número que a Video Game History Foundation repete há anos e que continua chocando: 87% dos jogos lançados antes de 2010 não estão mais à venda em lugar nenhum. Não é pirataria, não é preguiça de comprar, é que eles simplesmente sumiram do comércio. O Programa de Preservação da GOG existe para brigar contra isso, e acabou de ganhar mais um nome de peso.

A adição recente é Prince of Persia: The Sands of Time, o jogo de 2003 que redefiniu plataforma e ação em 3D. Ele entra num catálogo que já passa de 240 títulos preservados, ao lado de coisas como o Hitman original, o primeiro Splinter Cell, The Wolf Among Us e os dois STALKER clássicos.

A ideia do programa é diferente de só vender jogo antigo. A GOG se compromete a manter esses títulos rodando em hardware atual, sem DRM, com correções quando o sistema operacional quebra a compatibilidade, e a versão que você compra é sua para sempre, mesmo se a loja fechar. Existe até um esquema de financiamento pela comunidade, o GOG Patrons, para bancar esse trabalho.

Vale ligar isso ao que a Nintendo fez ao resgatar jogos de Virtual Boy que nunca saíram. São abordagens opostas do mesmo problema. A Nintendo prende a preservação dentro de uma assinatura que você perde ao cancelar. A GOG entrega o arquivo.

O que fica é uma pergunta que a indústria evita. Se quase nove em cada dez jogos antigos já não podem ser comprados legalmente, quem é o vilão da preservação, o pirata que copia ou a empresa que deixou de vender?