Para quem não liga o nome à obra, a Grasshopper Manufacture foi fundada em 1998, em Tóquio, e é a casa de Killer7, No More Heroes, Lollipop Chainsaw e Shadows of the Damned. São jogos de estética punk, humor esquisito e mecânica às vezes torta, que viraram cult justamente por não parecerem com nada que as grandes publishers fazem. O estúdio pertenceu à GungHo Online Entertainment até 2021, quando a NetEase comprou a empresa num período em que a chinesa adquiria estúdios japoneses e ocidentais em ritmo acelerado.
No comunicado, Suda51 diz que a decisão veio depois de conversas longas com a NetEase e que o estúdio, tendo melhorado o próprio conhecimento de autopublicação, agora tem uma gama ampla de opções. Romeo Is A Dead Man, lançado em fevereiro, foi o primeiro título que a Grasshopper publicou por conta própria. Nenhum novo financiador ou parceiro de distribuição foi anunciado, e a empresa deixou a porta aberta para trabalhar com a NetEase de novo no futuro.
Acho que a leitura mais interessante está no movimento contrário ao que se via em 2021. Naquela época, ser comprado por um grupo grande parecia a única forma de um estúdio autoral sobreviver ao custo crescente de produção. A NetEase passou os últimos anos reduzindo apostas fora da China, e agora quem sai é um estúdio que pede para ir embora com a marca e a equipe inteiras, bem longe do fechamento às pressas que marcou outros casos.
Há uma semana, a Microsoft fez algo parecido ao tirar Undead Labs e outros estúdios da estrutura do Xbox. Os dois casos têm razões diferentes, mas desenham o mesmo mapa, com publishers grandes encolhendo o portfólio e estúdios de identidade forte voltando a negociar jogo a jogo. Talvez independência, em 2026, signifique sobretudo poder escolher com quem dividir a conta.
A Grasshopper chega aos 30 anos em 2028 sem dono e com um jogo recém-lançado no catálogo. O próximo anúncio de projeto vai dizer quem está pagando.