Enquanto boa parte da indústria caminha pra loja inteiramente digital, a Rockstar confirmou que Grand Theft Auto VI terá versão física de verdade, com disco, na prateleira, disponível junto da versão digital em 19 de novembro. Numa época em que até a Sony já anunciou o fim da produção de mídia física do PlayStation a partir de 2028, a escolha chama atenção justamente pelo contraste.

A decisão não é sentimentalismo puro. Jogos do tamanho de GTA 6 ainda dependem fortemente de mercados onde internet de banda larga não é garantida, e onde a revenda de mídia física continua sendo parte relevante do ecossistema comercial. Manter a opção física em 2026 significa não abrir mão desses mercados, além de atender colecionadores e uma fatia de consumidores que simplesmente prefere posse física a licença digital revogável.

Vale lembrar que o jogo abriu pré-venda em 25 de junho, saindo por 79,99 dólares, e que o próprio CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, já havia reforçado publicamente que a produção não utiliza inteligência artificial generativa em nenhuma etapa do desenvolvimento. Colocado lado a lado, os dois posicionamentos formam um discurso coerente, physical media de volta e ausência declarada de IA generativa reforçam a imagem de um jogo feito no método mais tradicional possível, quase como resposta direta às tendências recentes da própria indústria.

Esse tipo de escolha também carrega risco calculado. Produzir mídia física custa mais e exige logística que boa parte dos publishers já abandonou nos últimos anos, justamente pela conveniência e margem maior do digital puro. A Rockstar aposta que o tamanho do fenômeno GTA 6 absorve esse custo extra sem dificuldade, algo que só um lançamento desse porte consegue sustentar sem prejuízo real.

No fim, fica um contraste que resume bem o momento da indústria, cada estúdio grande decidindo, à sua maneira, o quanto ainda vale a pena lutar contra a maré digital que a própria indústria ajudou a criar.