Uma pesquisa do GDC com mais de 2.300 profissionais da indústria de games mostrou que 52% deles acham que a IA generativa está prejudicando o setor, contra 30% no ano anterior e só 18% dois anos atrás. O que vejo aqui é uma rejeição crescendo na mesma velocidade que a adoção, e isso não é contradição, é o retrato exato de uma indústria usando uma ferramenta que não confia plenamente, mas já não consegue mais ignorar.

Ainda segundo o levantamento, 36% dos profissionais já usam IA generativa no trabalho, mas quase nenhum deles usa pra criar o produto final. A esmagadora maioria usa pra pesquisa e brainstorming (81%) ou tarefas administrativas como escrever e-mail e revisar código (47%). Geração de assets fecha em 19%, geração procedural em 10% e recursos voltados direto pro jogador em apenas 5%.
A rejeição também não é uniforme. Quem trabalha com arte visual e técnica lidera a desconfiança, com 64% vendo impacto negativo, seguido de perto por quem trabalha com design e narrativa, com 63%, e programação, com 59%. Faz sentido, são justamente as áreas mais expostas a substituição direta por ferramenta automatizada, e a desconfiança cresce proporcional à proximidade do risco. Times de programação, aliás, são justamente os que mais reportam uso prático da ferramenta no dia a dia, o que reforça a tensão entre usar e desconfiar ao mesmo tempo.
O que vale acompanhar aqui é que 28% dos profissionais já foram demitidos nos últimos dois anos, chegando a 33% nos Estados Unidos, um contexto que explica boa parte da desconfiança sem precisar recorrer a teoria nenhuma. Enquanto estúdio usa IA generativa pra reduzir custo e demite gente ao mesmo tempo, a percepção de ameaça só tende a crescer, mesmo que a ferramenta em si continue restrita a tarefa de apoio. Vale acompanhar o próximo levantamento pra ver se essa rejeição estabiliza ou continua subindo no mesmo ritmo dos últimos dois anos.