Os dinossauros de The End of Oak Street são diferentes dos que a gente se acostumou a ver no cinema, e agora dá para entender por quê. Com a chegada do filme ao digital nos Estados Unidos, a Warner publicou nesta semana um vídeo de bastidores de 11 minutos, e o supervisor de produção de VFX da ILM, Jay Cooper, deu uma entrevista longa ao site Art of VFX sobre as criaturas.

O filme é de David Robert Mitchell, diretor de Corrente do Mal, com produção de J.J. Abrams. Anne Hathaway e Ewan McGregor vivem os pais de uma família cujo bairro inteiro, em 1982, é arrancado do subúrbio e vai parar na era dos dinossauros. Estreou nos cinemas americanos em 14 de agosto, e quase todo o VFX ficou com a ILM, com uma pequena parte de ajustes com a Lola.

Desde o começo, segundo Cooper, Mitchell queria dinossauros sarnentos, sujos, machucados e menos perfeitos do que o cinema costuma mostrar. A ideia era que cada bicho tivesse cicatriz e história, como animal que briga para sobreviver. O líder de concept em Londres, Jason Horley, testou penas, plumagem, bicos e pele de crocodilo, e a equipe fez várias rodadas de pelagem e cor em cada espécie. Cooper admite que a equipe nunca buscou um retrato paleontológico fiel, porque a prioridade era a reação do público na sala.

Para a animação, as referências vieram de elefante, crocodilo, jacaré, casuar, emu, avestruz e muitas cobras. O supervisor Trevor Hazel juntou referências de terror, e os supervisores de animação Kevin Martel, Shawn Kelly e Edward Zhou usaram esse material para dar personalidade a cada espécie. A perseguição da Titanoboa, com aquele olhar morto, foi inspirada em Bob, de Twin Peaks. No set, os atores contracenaram com dublês usando cabeças de dinossauro, recortes de espuma e a velha bolinha de tênis na ponta de um bastão. Na cena em que Hathaway arremessa objetos nos ornitossucos, as coisas quebram de verdade na cabeça dos dublês.

Quem acompanhou os bastidores da ILM em Mandalorian e Grogu vai reconhecer o mesmo cuidado com iluminação. A equipe de Kristen Sedore trata o dinossauro como um diretor de fotografia trata um ator, com luz nos olhos, rebatedor e preenchimento negativo.

Cooper diz que a longa história da ILM com dinossauros, de Jurassic Park em diante, praticamente não pesou no trabalho, porque a meta era fazer algo próprio. Assista ao making of da Warner no YouTube e repare nas feridas abertas no focinho dos bichos, que é onde essa escolha aparece mais.