A King, estúdio de Candy Crush e parte da Microsoft desde a compra da Activision Blizzard, fechou um acordo coletivo com os sindicatos suecos Unionen e Engineers of Sweden. A assinatura saiu na última hora, porque a greve estava marcada para esta sexta-feira (25). As conversas vinham desde maio de 2025, e o acordo vale para os escritórios de Estocolmo e Malmö, que reúnem cerca de 500 pessoas.
A virada foi rápida. No dia 15, a Unionen, maior sindicato da Suécia, entregou o aviso formal de greve, e o órgão de mediação do governo sueco entrou na conversa. Dois dias depois, outros três sindicatos anunciaram greve de solidariedade. Enquanto isso, a diretora de operações da King, Ulrika Höjgård, dizia à imprensa que os benefícios do estúdio já igualavam ou superavam o que um acordo coletivo daria, e que a empresa tinha decidido não assinar.
Pelo texto divulgado pela Engineers of Sweden, os funcionários ganham mais influência sobre as condições de trabalho, direito de organização e informação com antecedência quando houver mudanças no local de trabalho, como reorganizações e demissões. O sindicato chama o acordo de piso, e a empresa pode dar mais do que ele exige. A negociadora Camilla Frankelius lembrou que quase nove em cada dez trabalhadores da Suécia já têm essa proteção por acordo coletivo, então a King estava fora da regra do próprio país.
O momento pesa. Três dias antes, a Microsoft anunciou mais 268 cortes no Xbox e uma nova arrumação de estúdios, em que a King recebe a Microsoft Casual Games, do Paciência do Windows. Um estúdio que vai crescer por decisão de cima acabou de garantir, por escrito, que será avisado antes da próxima tesoura.
Acho curioso como a palavra estabilidade mudou de lado nessa indústria. Um estúdio de jogo mobile lucrativo, com uma das franquias mais rentáveis do celular, sentiu que precisava de papel assinado para garantir o básico. E a King não está sozinha dentro da Microsoft, já que o sindicato da Blizzard ratificou o primeiro contrato coletivo há pouco mais de duas semanas. Lá, o caminho foi a lei trabalhista americana, com dois anos de negociação. Na King, depois de 16 meses de conversa, quem destravou o acordo foi a ameaça de greve, num país onde o acordo coletivo é regra.