Ontem, no primeiro dia da Web Summit Rio 2026, assisti ao bate-papo com a Luana Lopes Lara, a bilionária self-made mais jovem do mundo aos 29 anos, e saí de lá com algumas ideias que não conseguem sair da minha cabeça. Estou cobrindo o evento como mídia em nome da MaxRender e esse encontro talvez tenha sido o mais marcante até agora.
A história dela não começa em uma escola de negócios. A Luana é de Joinville, em Santa Catarina, filha de uma professora de matemática com um engenheiro elétrico, e passou parte da adolescência treinando balé clássico na escola Bolshoi do Brasil em rotina dura, das 7 da manhã às 9 da noite entre escola regular e dança. Foi para Ciência da Computação no MIT, onde conheceu o Tarek Mansour, e em 2018 cofundou com ele a Kalshi.
A Kalshi é uma plataforma de mercados de previsão. O usuário compra contratos do tipo sim ou não sobre eventos do mundo real, de clima a esporte a política. Quando o evento acontece, o contrato paga. Em dezembro de 2025, a empresa foi avaliada em US$ 11 bilhões. Em abril deste ano, dobrou para US$ 22 bilhões. Hoje a Kalshi movimenta US$ 2 bilhões por semana em transações. Para chegar lá, a Luana enfrentou em tribunal a CFTC, o regulador americano de mercados, e ganhou a disputa que liberou os mercados de previsão eleitoral nos Estados Unidos.
Sentado ali ouvindo ela falar, três coisas ficaram batendo na cabeça. A primeira é que nem sempre as ideias mais complexas são as mais rentáveis. Notei que a Kalshi vende uma promessa simples de comprar contrato e esperar o resultado acontecer, e isso virou um negócio de bilhões. A segunda, o que é o caso dela, é que também estamos vendo centenas de pessoas sem qualificação relevante ganhando mais dinheiro do que muita gente formada e bem treinada, e isso não é um aval para deixar de estudar, é só um aviso de que o jogo mudou de regra e quem não estiver atento vai ficar para trás. A terceira, e talvez a mais prática, é que networking abre portas que currículo sozinho não abre. Vi isso acontecer na minha frente no salão de café do Riocentro mais de uma vez no mesmo dia.
Saí do painel pensando que eventos como Web Summit Rio importa menos pelos anúncios e mais por essa convivência direta com quem já passou pela curva. A Luana entregou em meia hora de conversa um resumo do que muita gente leva uma vida tentando entender. Vou voltar amanhã para os próximos painéis e trago mais aqui na MaxRender.