Uma atualização de software de textura raramente vira assunto fora da bolha de quem trabalha com isso, mas o Mari 8.0 tem uma lista de novidades que conta uma história. O Mari, da britânica Foundry, a mesma empresa do Nuke, é a ferramenta que grandes casas de efeitos visuais usam para pintar personagens e criaturas em altíssima resolução, com centenas de mapas espalhados em UDIMs. Quem já viu um breakdown de criatura digital provavelmente viu trabalho feito nele.
Desta vez, a maior parte das novidades está no Node Graph. São 49 nós de matemática, de aritmética e trigonometria até lógica condicional e randomização avançada, além de nós para transformar coordenadas e um Color Remap que junta matiz, saturação, exposição e gama num lugar só. O Tri-Planar Tiled projeta uma mesma imagem nos três eixos do modelo, e o Hex Tile espalha e mistura a textura sobre uma grade hexagonal, o truque que esconde aquele padrão repetido que denuncia uma superfície gerada. Há também um nó Compare, para comparar duas versões lado a lado com uma cortina deslizante.
Fico com a impressão de que o Mari está virando, aos poucos, um programa procedural que ainda deixa pintar. As máscaras seguem o mesmo caminho, com Color ID criada a partir de seleções e nós que isolam cores da superfície, e qualquer nó agora aceita uma entrada de máscara. A mesma conversa sobre texturizar com regras apareceu no RizomUV 2027, que passou a usar oclusão para decidir onde a textura perde resolução, e o padrão começa a ficar difícil de ignorar.
No resto, o Mari 8.0 adota a especificação CY2025 da VFX Reference Platform, lê câmeras de arquivos USD e ganhou uma navegação de câmera no estilo trackball. Continua só por assinatura, a US$ 86 por mês ou US$ 689 por ano, e a licença de equipe subiu US$ 60, para US$ 1.289 anuais. Roda no Windows 11 e no Rocky Linux ou RHEL 9.
A pintura à mão era, durante muito tempo, o argumento de venda do Mari diante de ferramentas mais procedurais como o Substance Designer. Com 49 nós de matemática na conta, o artista de textura que entra num estúdio de VFX hoje tem chance de passar mais tempo montando grafos do que segurando a caneta, e ninguém escreveu isso em descrição de vaga ainda.