Tem um dado que não fecha direito na história recente dos jogos de Marvel. A mesma editora que cancelou projeto atrás de projeto em estúdio próprio nos últimos anos acabou de lançar, em 6 de agosto, um dos jogos de luta mais bem avaliados do ano. Marvel Tokon, Fighting Souls chegou a PS5 e PC com 20 lutadores no elenco de lançamento e notas que colocam o jogo entre os melhores tag fighters já feitos.

O curioso é quem fez o jogo. A Sony não montou um estúdio interno pra tocar o projeto, foi atrás da Arc System Works, a mesma equipe japonesa por trás de Guilty Gear e Dragon Ball FighterZ, e deixou a Marvel aprovar o resultado à distância. O combate em 4 contra 4 foi desenhado desde o início pra ser acessível a quem nunca jogou luta a sério, mas com profundidade suficiente pra sustentar cena competitiva depois, receita clássica de quem já entende o gênero de dentro pra fora.

Compare isso com o histórico recente, Marvel's Avengers fechou os servidores depois de anos patinando, a Amazon cancelou os jogos de Homem de Ferro e Pantera Negra que estavam em desenvolvimento na Crystal Dynamics, e Marvel's Wolverine segue sem data depois de anos de silêncio. O padrão que emerge não é falta de interesse do público em jogos de super-herói, é o oposto, é que produção interna de jogo AAA narrativo continua sendo terreno onde a Marvel tropeça, enquanto licenciar a marca pra especialista de gênero, seja um hero shooter como Marvel Rivals ou um fighting game como Tokon, vem funcionando quase toda vez.

Não sei se essa é uma lição que a indústria de licenciamento vai levar a sério ou se cada nova tentativa de jogo AAA original vai repetir o mesmo ciclo de expectativa e cancelamento. O que fico pensando é se o problema nunca foi a Marvel como marca, e sim a ideia de que dono de propriedade intelectual também precisa ser quem constrói o jogo.