A Microsoft confirmou nesta segunda-feira o corte de 4.800 vagas, cerca de 2% do quadro global da empresa, dentro de uma reestruturação que atinge em cheio a divisão Xbox. A reestruturação envolve unidades como Compulsion Games, Double Fine, Ninja Theory e Undead Labs, além de rumores insistentes sobre o futuro da Arkane Studios. Tem algo nisso que ainda não fecha direito na minha cabeça, a mesma Xbox que está prestes a lançar Halo Campaign Evolved em 28 de julho e Gears of War E-Day em outubro segue cortando as pessoas que fazem esse tipo de jogo existir.

Não é a primeira onda da Microsoft em games, e olhando o histórico recente da indústria, também não deve ser a última. Só neste ano, o setor já acumula mais de 20 mil demissões, um número que parou de chocar há tempos e virou quase estatística de rodapé. O que muda aqui é a escala do corte dentro de uma divisão que a própria Microsoft vinha tratando como prioridade estratégica desde a compra da Activision Blizzard.

Fico pensando no que significa cortar cerca de 3.200 pessoas da Xbox ao longo do ano fiscal, ao mesmo tempo em que a empresa promete um catálogo mais forte do que nunca pros próximos meses. Talvez os dois fatos não sejam tão contraditórios quanto parecem, jogos grandes continuam saindo porque já estavam em produção há anos, enquanto o corte mira o que vem depois. Se for isso, o problema não é o presente da Xbox. É o que ainda não foi anunciado.

A Microsoft garantiu que jogos como Senua's Saga e State of Decay 3 não foram cancelados, o que deveria tranquilizar quem acompanha de fora. Mas por dentro, para quem trabalha nesses estúdios, saber que o projeto sobrevive não é a mesma coisa que saber que o emprego sobrevive. Não sei dizer se a Xbox está se tornando mais eficiente ou só mais enxuta, e talvez nem a própria Microsoft saiba ainda qual das duas palavras descreve melhor o que está fazendo.