A Milk VFX divulgou o making of do trabalho dela em Surviving Earth, série de história natural em oito episódios produzida com a indie Loud Minds e transmitida no Peacock. A série é de Tim Haines, o mesmo criador de Walking with Dinosaurs e Primeval, e revisita as extinções em massa da Terra pelo olhar das criaturas que sobreviveram a elas.

Os números do projeto dão a dimensão do esforço. Mais de mil planos ao longo de oito episódios de uma hora, 73 criaturas principais modeladas e mais de cem ambientes, treze deles construídos em tempo real dentro da Unreal Engine. O trabalho levou dois anos. A Milk usou a engine em todas as etapas, do previs, quando a equipe planeja plano e movimento de câmera antes de gravar, até a pós, refinando parte dos assets direto na engine para o resultado final. É o tipo de fluxo que a Epic vem incentivando com adições como o Movie Render Graph, pensado para saída final de VFX.

O que chama atenção nesse tipo de pipeline é o desenho de processo que ele exige. A Milk teve que criar um fluxo de trabalho novo para unir departamento de tempo real e departamento de VFX tradicional na mesma produção, além de um gerador procedural de terreno próprio e ferramenta específica para pele, pelo e detalhe fino de superfície de bicho pré-histórico. Nada disso vem de fábrica. É o tipo de investimento em infraestrutura que só faz sentido quando o estúdio aposta que o próximo projeto vai usar o mesmo caminho.

Documentário de natureza sempre foi um dos formatos mais exigentes de VFX, porque o público tem referência real do que um animal deveria parecer, e qualquer erro de peso ou de movimento salta aos olhos. Ver esse gênero migrando para a Unreal, além do cinema de ação que já usava a engine, mostra o quanto ela virou base de produção séria em mais de um formato.