O Ottawa International Animation Festival, o maior evento de animação da América do Norte, comemora 50 anos na edição que acontece de 23 a 27 de setembro. Fundado em 1976, no Canadá, ele é a principal vitrine do continente para curta e longa de animação de autor, o tipo de obra que raramente chega ao cinema comercial. Para a data, o festival encomendou um cartaz novo ao quadrinista Seth e montou um júri só de canadenses.

O dado que chama atenção é o volume. Foram mais de 3 mil inscrições este ano, recorde na história do evento, e a competição de longas foi ampliada para caber mais filmes, vindos de Brasil, Canadá, China, Japão, Singapura e Estados Unidos. É bastante coisa para um recorte que costuma ser tratado como nicho.

Fico pensando no contraste com o resto do mercado. A animação nunca movimentou tanto dinheiro, entre franquia da Pixar, sequência da DreamWorks e anime batendo recorde de bilheteria. Ao mesmo tempo, quase tudo isso segue a mesma fórmula visual e o mesmo público. Um festival como o Ottawa existe para lembrar que animação é uma técnica capaz de contar qualquer tipo de história, para qualquer público.

Vale reparar também no gesto de identidade. Júri só de canadenses, cartaz assinado por um autor de quadrinhos cultuado, competição de série reformulada. É um festival de meio século se firmando naquilo que ele é, em vez de tentar competir com feira de anúncio de streaming.

Para quem acompanha animação no Brasil, a presença nacional na competição de longas é o ponto a observar. O país aparece de novo entre os selecionados de um dos festivais mais respeitados do meio, ao lado de nomes de peso da Ásia e da Europa. Já falamos por aqui de como o curta APART venceu o Best in Show no festival de animação da SIGGRAPH, e é o mesmo circuito de festival que abre porta para o animador brasileiro lá fora.

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Cinquenta anos é muito tempo para um festival de nicho continuar de pé e ainda crescendo. O Ottawa chega à marca com número recorde de inscrição e uma competição de longas maior do que nunca. Para um formato que vive sendo dado como morto, não é um mau sinal.