Parece só um reajuste de preço de console, dos que acontecem de vez em quando. Só que este tem uma origem que diz mais sobre 2026 do que sobre a Nintendo. A partir de 1 de setembro, o Switch 2 passa de 449,99 para 499,99 dólares nos Estados Unidos, com aumento equivalente no Canadá, na Europa e na Austrália, e o motivo principal é a corrida por chips de memória para inteligência artificial.
A conta é indireta, mas direta o suficiente. Data centers de IA compram memória em volume gigante, a demanda estourou a oferta, e o preço de componentes como DRAM subiu para toda a indústria de eletrônicos. Console usa esse mesmo tipo de memória. Quando o insumo encarece de forma permanente, o fabricante ou come a margem ou repassa. A Nintendo escolheu repassar, e foi clara ao dizer que enxerga a mudança de custo como algo de médio a longo prazo, não um pico passageiro.
O Switch 2 não está sozinho nisso. Já contei aqui como as placas RTX 50 subiram até 39% em agosto pelo mesmo motivo. O hardware de jogo inteiro está mais caro porque outra indústria está pagando mais pelas mesmas peças.
Tem um detalhe que muda a percepção. O Switch original, o de 2017, não teve reajuste. A Nintendo manteve o console antigo no mesmo preço, o que sinaliza que o problema é específico da geração nova, mais dependente de memória rápida.
O que fica é uma pergunta desconfortável para quem joga. Se o custo de produzir console está preso ao apetite dos data centers de IA, o preço de entrada no hobby deixou de depender só do mercado de games. Ele virou refém de uma disputa da qual o jogador não participa e sobre a qual não tem nenhuma influência.