Daqui a alguns anos, talvez a gente olhe pra 2026 e perceba que foi o ano em que o USD deixou de ser o formato que só a Pixar levava a sério pra virar linguagem universal de cena 3D. O OpenUSD, padrão de descrição de cena originalmente criado pela Pixar, conquistou sua primeira especificação central formal em 2026, um passo concreto no caminho pra ratificação como norma ISO. A iniciativa é conduzida pela AOUSD, aliança que reúne Pixar, Apple, Adobe, Autodesk e Nvidia, entre outras empresas, formada justamente pra acelerar esse tipo de padronização.
Isso não é burocracia sem consequência. Uma especificação formal significa que fabricantes de software, estúdios e fornecedores de nuvem passam a ter uma referência única e estável pra construir integração, em vez de interpretar o padrão cada um do seu jeito. Já vi esse movimento de adoção acontecer de perto quando cobri como o Toon Boom Harmony 27 adotou USD e mudou o pipeline 2D, um estúdio que nem vem do universo tradicional de VFX 3D decidindo migrar pra esse formato. Não parece exagero dizer que quem ainda trata USD como coisa de estúdio grande de Hollywood está atrasado.
O SIGGRAPH 2026, que acontece entre 19 e 23 de julho em Los Angeles, promete ser a maior vitrine pública do que o OpenUSD já virou. A versão 26.03 do padrão já trouxe um schema de Gaussian Splatting, tecnologia de renderização que também apareceu em Nuke 17, Houdini 21 e V-Ray 7 no mesmo ano, um alinhamento de calendário que não é coincidência, é sinal de indústria convergindo pra uma mesma base técnica ao mesmo tempo.
Ainda não sei se a ratificação ISO muda alguma coisa na prática pra quem trabalha no chão de fábrica de um estúdio pequeno. Mas pra quem decide arquitetura de pipeline em nível de empresa, ter um padrão internacional formal por trás do USD tira uma camada de risco que hoje pesa contra qualquer decisão de investir pesado nesse caminho.