Publicado na revista Cognitive Science, um novo estudo do Virtual Human Interaction Lab de Stanford tentou medir algo que a maioria das ferramentas de trabalho remoto assume sem provar, se pessoas em realidade virtual realmente se sincronizam melhor do que numa chamada de vídeo comum. A resposta, assinada por Wang, Santoso, Han e Bailenson, não é um simples sim.

O estudo olha pra dinâmica temporal da colaboração, ou seja, não só se o grupo terminou a tarefa, mas como o comportamento de cada pessoa mudava minuto a minuto dentro do espaço virtual compartilhado. Sincronia aqui significa algo bem específico, o quanto os movimentos, o ritmo de fala e a atenção de cada participante se alinham com os dos outros ao longo do tempo, quase como uma dança que ninguém coreografou.

Essa sincronia parece prever engajamento e resultado psicológico da tarefa, não só desempenho técnico. Grupos que sincronizavam mais rápido relatavam mais satisfação com a colaboração e percepção mais forte de estar realmente presente junto dos colegas, mesmo sabendo que era um ambiente simulado.

Isso levanta uma questão prática pra quem desenha ferramenta corporativa de VR, seja ambiente de reunião ou treinamento remoto que promete substituir presença física. O avatar mal ajustado, o atraso de rede e a falta de expressão facial captada corretamente deixam de ser detalhe estético quando o que sustenta o resultado da tarefa é exatamente essa sincronia entre as pessoas.

Fico pensando se a indústria de hardware de VR está otimizando pro parâmetro certo. Resolução de tela e campo de visão vendem produto na prateleira, mas talvez o fator que decide se uma equipe volta a usar o headset depois da primeira semana seja exatamente essa sincronia que ninguém mede no marketing. Quem acompanhou a leva de lançamentos recentes em VR sabe que o hardware está avançando rápido. A pergunta é se o software de colaboração está avançando na mesma direção.