A notícia chegou com cara de presente e etiqueta de reajuste. A The Pixel Farm anunciou que o PFTrack Solo, a licença do seu software de tracking de câmera pensada para freelancers e artistas que trabalham sozinhos, agora tem acesso a todos os nós das edições Studio e Enterprise. Ao mesmo tempo, a licença perpétua subiu de 699 para 999 libras, algo perto de US$ 1.323.
Para quem não usa, o PFTrack é um programa de matchmove, a etapa que reconstrói o movimento da câmera real dentro do 3D para que um elemento digital grude na filmagem sem escorregar. Ele aparece no pipeline de casas como DNEG, Framestore e Sony Pictures Imageworks. Até a versão 26.09.30, o Solo fazia o básico desse trabalho, com tracking, solve, calibração de lente, nuvem de pontos e geometria de cena.
Os 37 nós novos mudam o tamanho do que dá para entregar sozinho. Entram o pipeline completo de fotogrametria, tracking de material estéreo e de vídeo esférico em 360 graus, geração e edição de profundidade com Z-Depth, além de Optical Flow, um Mocap Solver e ferramentas de retime. Ficam de fora só o processamento por linha de comando, a API em Python e o debayer de RAW da RED e da ARRI, e a licença continua presa a um usuário e um computador.
Fico tentando entender o que esse movimento diz sobre quem está do outro lado da compra. Durante anos, a lógica das licenças baratas era cortar recurso para proteger a versão cara. A Pixel Farm fez o inverso, entregando o pacote inteiro e cobrando por isso, como se apostasse que o freelancer de 2026 já recebe pedidos que antes iam só para estúdio. Talvez esteja certa. Muita gente que faz VFX de publicidade sozinha precisa de fotogrametria para reconstruir um set e de tracking estéreo para um job de realidade virtual na mesma semana.
Há também opções de aluguel com direito a compra, a 184,99 libras por mês durante seis meses ou 39,99 por semana durante 30 semanas, e uma versão de teste sem prazo que só bloqueia salvar e exportar. É o tipo de ferramenta que se aprende de graça e se paga quando o primeiro trabalho aparece, parecida com o que o DJV, visualizador gratuito de VFX, oferece no outro extremo da mesma bancada.
Para muito artista brasileiro, a conta em libras pesa mais do que a lista de nós, e o teste sem prazo deve ser a parte do anúncio que mais circula por aqui.