Pulsatrix Studios é o estúdio brasileiro por trás de dois dos jogos de terror mais comentados feitos no país, Fobia St. Dinfna Hotel e A.I.L.A. O nome vem do termo científico em latim pra coruja, escolhido de propósito porque o time só conseguia trabalhar à noite, depois do expediente em outros empregos.
Fundada em 2019 por Fabio Martins, Thiago Matheus e Marco Majer, a Pulsatrix passou cerca de três anos nesse ritmo até lançar a demo de Fobia em agosto de 2020. A campanha de financiamento coletivo que veio depois bombou, e o jogo completo chegou em junho de 2022, colocando o jogador na pele de um jornalista investigando fenômenos paranormais num hotel fictício.
Fobia levou o prêmio de melhores visuais no SBGames 2020 e chegou a finalista em várias categorias do BIG Festival 2021, dois dos principais palcos de reconhecimento pra jogo brasileiro fora da vitrine de vendas. Isso deu à Pulsatrix o tipo de credibilidade que financia o próximo projeto sem precisar recomeçar do zero.
Esse próximo projeto foi A.I.L.A., mais ambicioso e construído em Unreal Engine 5. O jogo coloca o jogador no papel de um testador que avalia experiências de terror criadas por uma inteligência artificial fictícia, dando feedback pra que ela aprenda a assustar cada vez melhor. É terror psicológico com uma camada de comentário sobre criação assistida por máquina, tema que faz sentido vindo de um estúdio que sempre tratou horror como gênero técnico, não só clima.
O que a trajetória da Pulsatrix mostra é que terror indie brasileiro deixou de ser exceção isolada. Tem outro exemplo recente na mesma prateleira, Touch of Madness, que também apostou em atmosfera pesada feita com equipe pequena. A diferença é que a Pulsatrix já emplacou dois lançamentos seguidos com identidade reconhecível, e isso ainda é raro nesse mercado.
O próximo passo do estúdio importa. Dois lançamentos seguidos de sucesso dão a eles a chance de tentar algo maior, e o histórico recente sugere que vão continuar apostando em desconforto psicológico bem produzido.