Em 2025, quarenta por cento do tempo que os jogadores passaram dentro do Fortnite foi em conteúdo que a Epic não criou. Mapas, modos, experiências inteiras feitas por outros criadores usando as ferramentas que a empresa disponibiliza. A Epic pagou cerca de 370 milhões de dólares a esses criadores no mesmo período. Fico me perguntando o que isso diz sobre o que o Fortnite realmente é.

A resposta mais óbvia é que o Fortnite virou uma plataforma. A Epic fez algo parecido com o que a Apple fez com a App Store - criou o ambiente, definiu as regras, e deixou que outros trouxessem o conteúdo. Isso é verdade. Mas acho que para por aí cedo demais.

O que me chama atenção é outro ponto: se quarenta por cento do que os jogadores escolhem dentro do Fortnite é algo que a Epic não pensou, não projetou e não aprovou criativamente, então quarenta por cento do valor percebido do produto não veio do time de desenvolvimento. Veio da comunidade. A Epic está pagando por isso, o que é honesto. Mas também está dependendo disso, o que é outra coisa.

Existe um paradoxo aqui que eu não consigo ignorar: o melhor argumento para jogar Fortnite em 2025 foi feito por pessoas que não trabalham na Epic. Não sei se isso é uma vitória ou um alerta. Provavelmente é os dois ao mesmo tempo.

Roblox existe quase que inteiramente com base nessa lógica. Minecraft virou uma plataforma de criação antes de alguém usar essa palavra para descrevê-la. A questão que fica é: quando o jogo que você fez vira o palco onde outros fazem os seus, você ainda é um estúdio de games? Ou virou outra coisa - uma infraestrutura, uma cidade, uma ferramenta que pessoas usam para criar o que você não imaginou?

Não tenho resposta para isso. Mas acho que é a pergunta mais importante que a indústria vai ter que enfrentar nos próximos anos - antes que a resposta apareça sozinha, vinda de lugares que ninguém estava monitorando.