A Capcom abriu o Summer Game Fest 2026 com o anúncio que parte da comunidade esperava há mais de uma década. Resident Evil Code Veronica Remake foi confirmado oficialmente no palco do Dolby Theatre em Los Angeles, na noite de 5 de junho, com previsão de lançamento em 2027 para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.

Para quem cresceu jogando o original em Dreamcast e PS2, é difícil exagerar o peso desse anúncio. Code Veronica foi o primeiro Resident Evil canônico fora da numeração principal, o primeiro a permitir controlar Wesker como vilão jogável, e o ponto onde Claire Redfield virou personagem central da franquia. Por muito tempo, ele ficou de fora dos planos de remake da Capcom enquanto RE2, RE3 e RE4 ganhavam reconstruções completas.

A leitura que faço aqui é estratégica. A Capcom mostrou nos últimos anos que a RE Engine se tornou um dos pipelines visuais mais consistentes do mercado, com fidelidade de iluminação, modelagem facial e renderização de cabelo que viraram referência para outros estúdios. Cada remake serviu também como demonstração técnica do motor. Levar Code Veronica para essa base agora era questão de quando, não se.

O que me chama atenção não é apenas o anúncio em si. É o fato de a Capcom estar conseguindo manter três ciclos em paralelo, com Resident Evil 9 saindo neste ano, novos projetos da franquia Monster Hunter rodando, e ainda assim alocando equipe para reconstruir um título de 2000 com a complexidade narrativa que Code Veronica tem.

Para quem trabalha com 3D, vale ficar de olho em como o remake vai resolver os cenários originais. O jogo era conhecido pelos castelos góticos da família Ashford em Rockfort Island e pela base antártica do terceiro ato, ambientes barrocos e gelados cheios de detalhe, e refazer isso em RE Engine com a densidade que a Capcom usa hoje é um exercício de pipeline que outras desenvolvedoras vão estudar.

Com o lançamento marcado para 2027 e Claire Redfield novamente no centro da história, o que vale acompanhar a partir de agora é como a Capcom posiciona o remake comercialmente. Se mantiver o ritmo dos anteriores, Code Veronica fecha o ciclo de reconstrução dos clássicos da franquia.