Estamos no Riocentro cobrindo a Web Summit Rio 2026 e na noite de segunda, 8 de junho, o palco principal hospedou um anúncio que mexeu diretamente com infraestrutura digital no Brasil: o aporte inicial de US$ 550 milhões da I Squared Capital na Elea Data Centers, com horizonte de US$ 10 bilhões para o projeto Rio AI City.
O prefeito Eduardo Cavaliere subiu ao Center Stage com Alessandro Lombardi, CEO da Elea Data Centers, para assinar um memorando de entendimento que formaliza a primeira fase do projeto. O Rio AI City será implantado no Parque Olímpico, em Barra da Tijuca, com previsão de 1,8 GW de capacidade computacional até 2027 e potencial de 3,2 GW até 2032. Em uma década, o ciclo total de investimento projetado passa de US$ 65 bilhões.
O memorando, com prazo de 36 meses, inclui também a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) e abre a articulação institucional, estudos técnicos e mobilização de recursos. No mesmo dia, a Prefeitura assinou acordos paralelos com o MCTI, MDIC, BNDES, Eletrobras e Finep para sustentar o avanço da infraestrutura energética e regulatória que um polo desse tamanho exige.
Cavaliere lembrou do palco que, um ano antes, o projeto havia sido apresentado ali mesmo, e que agora a iniciativa entra na fase de execução. A leitura comum no auditório, ao menos entre quem conversei depois, foi de que o Rio se posiciona como epicentro de conectividade e energia do Sul Global, com efeito direto sobre quem precisa de processamento para IA no Brasil.
E aqui vai a parte que importa para quem produz imagem digital. Capacidade local de GPU bem dimensionada significa render farm mais barata, treinamento de modelos de IA mais perto, latência menor para pipeline em nuvem e, no fim, custo de produção 3D que para de depender exclusivamente de data center estrangeiro. Não muda nada amanhã. Mas se 1,8 GW realmente sair do papel em 2027, muita coisa do nosso fluxo de trabalho fica mais barata.
Sigo no Riocentro até quinta-feira, dia 11. Mais cobertura nas próximas horas.