O SBGames 2026, o Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital, acontece de 29 de setembro a 2 de outubro em Goiânia. É a 25ª edição do evento, organizado pela Sociedade Brasileira de Computação, e o principal encontro acadêmico sobre jogos do Brasil e da América Latina. Reúne pesquisadores, estudantes, profissionais da indústria e criadores em trilhas que passam por computação, arte e design, cultura, educação, indústria e saúde, cobrindo jogos digitais, analógicos e híbridos.

A palestra principal fica com Andréia Formico, professora titular do programa de pós-graduação em informática aplicada da Universidade de Fortaleza. Ela fez doutorado no Imperial College London, foi pesquisadora visitante na Carnegie Mellon, coordena o laboratório GIRA e presidiu a comissão especial de jogos da SBC entre 2020 e 2024. O título da fala é Quando a IA entra em jogo, e a proposta é juntar pesquisa e aplicações para mostrar como a inteligência artificial mexe na criação de conteúdo, na arquitetura de sistemas, no controle e na experiência de quem joga.

Fico curioso com a escolha. O mercado discute IA em jogos quase sempre pelo ângulo do medo, da demissão ou da polêmica em trailer, e a academia brasileira pesquisa isso há anos com outro vocabulário, o de métricas, experimentos e limites medidos. Acho que o SBGames é um dos poucos lugares do país onde essas duas conversas cabem na mesma sala.

Tem ainda o Festival de Jogos, o concurso de desenvolvimento mais tradicional do país, aberto a projetos publicados ou em produção, de profissionais e estudantes. As inscrições fecharam em julho, e os jogos escolhidos fazem parte da programação em Goiânia.

O contexto de público ajuda a medir o tamanho da coisa. Segundo a Pesquisa Game Brasil 2026, 75,3% dos brasileiros consomem jogos digitais, 36,5% dos jogadores são da geração Z e 86,7% dizem que o game é a principal forma de entretenimento. Ainda assim, o evento científico que forma boa parte dos pesquisadores e professores da área raramente aparece fora do circuito universitário.

Para quem está decidindo se vale estudar jogos a sério, e já comparou quanto ganha um profissional de desenvolvimento de jogos no Brasil, passar quatro dias em Goiânia vendo o que as universidades produzem pode ser mais esclarecedor do que qualquer ranking de curso. Não sei se a ponte entre pesquisa e estúdio já existe de verdade por aqui, mas é nesse corredor que ela teria de começar.