Tem uma palavra escondida no nome da mostra de arte do SIGGRAPH 2026 que resume bem o que a conferência está tentando dizer esse ano. In-Betweens. Não é sobre a tecnologia em si, é sobre o espaço entre as coisas, entre sistemas, entre materiais, entre quem cria e quem experimenta. Os doze trabalhos selecionados, escolhidos entre 211 inscrições, giram em torno dessa única palavra.
Isso faz mais sentido quando você olha pro resto da Experience Hall, o guarda-chuva que reúne cinco programas diferentes de 19 a 23 de julho em Los Angeles, dentro da edição deste ano do evento. Narrativa espacial, pavilhão imersivo, galeria de arte, tecnologias emergentes e cursos práticos presenciais, tudo desenhado pra borrar a linha entre assistir e participar.
O Pavilhão Imersivo é o exemplo mais claro disso. Ele adota uma abordagem que não depende de uma plataforma específica, então instalações com eye tracking convivem lado a lado com realidade aumentada, entradas multissensoriais e agentes de IA, tudo no mesmo espaço físico. Não dá pra só olhar, o público é convidado a interagir e conversar direto com quem criou cada peça.
Fico pensando se esse tipo de programação é sintoma de alguma coisa maior acontecendo na produção visual. Faz sentido que, num momento em que ferramentas de IA generativa tornaram mais fácil produzir imagem sozinho, o SIGGRAPH decida colocar tanto peso justamente no que acontece entre pessoas e sistemas, e não dentro de cada um isoladamente.
Não sei se essa leitura é exagero ou se captura algo real sobre pra onde a computação gráfica está indo. De qualquer forma, vale acompanhar quais peças da galeria acabam repercutindo depois do evento, porque geralmente são elas que antecipam o próximo assunto que todo mundo vai discutir.