Enquanto a Microsoft explica a reestruturação do Xbox como necessidade financeira, o sindicato que representa parte dos funcionários da Bethesda respondeu em tom bem menos diplomático, afirmando que a equipe está pagando pelos erros de quem está no topo. É a primeira reação organizada de trabalhadores desde o anúncio dos cortes.
A Bethesda Game Studios segue tecnicamente protegida dentro do novo organograma, mas isso não impediu que a divisão perdesse dezenas de desenvolvedores no mesmo pacote de demissões que atingiu quase 5 mil pessoas em toda a Microsoft. O sindicato, formado nos últimos anos após um movimento inédito de organização trabalhista dentro da indústria de games americana, aproveitou o momento pra reforçar uma crítica que já vinha sendo construída há tempo, decisões de topo custam caro, e quem paga a conta raramente é quem decidiu.
Esse tipo de tensão ganha peso diferente quando lembramos que a própria CEO do Xbox, Asha Sharma, admitiu por escrito que parte da divisão operava com até 14 camadas de gestão, perdendo 64 centavos por cada dólar investido. Se a ineficiência estava concentrada em excesso de burocracia gerencial, a pergunta natural que o sindicato está fazendo publicamente é por que o corte recai justamente sobre quem produz o jogo, e não sobre as camadas que causaram o problema.
Vale lembrar que a sindicalização dentro de estúdios de games ainda é fenômeno relativamente recente nos Estados Unidos, e a Bethesda foi um dos primeiros grandes nomes a ter uma unidade reconhecida formalmente. Esse histórico dá ao posicionamento atual um peso maior do que teria há poucos anos, quando esse tipo de resposta coletiva simplesmente não existia dentro da estrutura da empresa.
Fica registrado, nesse momento, um contraste que talvez defina o resto do ano para o Xbox, de um lado o discurso corporativo de eficiência, do outro a cobrança direta de quem sente na pele o custo dessa eficiência.