A Sony confirmou que vai parar de produzir jogos em mídia física para o PlayStation a partir de janeiro de 2028. O que vejo aqui não é uma surpresa isolada, é a confirmação de um movimento que a indústria inteira vem sinalizando há anos, e que agora ganha data marcada pelo maior fabricante de consoles do mundo.
A medida vale só para lançamentos novos, os jogos físicos já disponíveis continuam normalmente nas prateleiras. Junto com o anúncio, a Sony também confirmou o encerramento gradual da PlayStation Store para PS3 e PS Vita, começando ainda este ano na América Latina e concluindo globalmente em julho de 2027. Não é acaso que as duas decisões saíram juntas, ambas miram o mesmo objetivo, reduzir custo de manutenção de infraestrutura legada e empurrar o ecossistema inteiro pra dentro da loja digital.
Para quem trabalha com produção e distribuição de jogos, o que muda é o peso que a mídia física deixa de ter no planejamento comercial. Hoje a versão em disco ainda funciona como argumento de venda em mercados como o Brasil, onde o preço de revenda de jogos usados sustenta parte real do consumo. Tirar essa opção do jogo muda o cálculo de quem compra, de quem revende e de quem precisa competir só no digital. Além disso, marketplaces de jogos usados e lojas locais brasileiras vão sentir esse corte de forma mais direta que qualquer consumidor final.
O que vale acompanhar aqui não é 2028 em si, é o quanto a Sony vai usar esse intervalo pra preparar o mercado brasileiro, historicamente mais dependente de mídia física do que Estados Unidos e Europa. Se a transição vier bem planejada, o impacto passa quase despercebido. Se vier rápido demais, o mercado de usados perde uma fatia inteira do seu motor comercial. E esse detalhe, mais do que a data em si, é o que decide se a transição vai ser lembrada como natural ou como um tropeço.