O que me chama atenção no anúncio da Sony não é a notícia em si, é a data escolhida. A partir de janeiro de 2028, todo jogo lançado para PlayStation, incluindo PS4, PS5 e as gerações futuras, vai deixar de existir em disco. Segundo o PlayStation Blog, a decisão encerra uma era que começou nos anos 1990 e faz da Sony a primeira grande fabricante de console a cravar oficialmente o fim do formato físico.

Na prática, isso não significa loja vazia de prateleira. A empresa vai seguir um modelo parecido com o que a própria indústria já testou com GTA 6, jogos continuam sendo vendidos em caixa, só que a caixa vem com um código de download em vez de disco. Para quem coleciona jogo físico, é a diferença entre ter um objeto e ter um recibo bonito.

O que vejo aqui é uma decisão movida por número, não por sentimento. A Sony afirma que downloads digitais já respondem por cerca de 80% das vendas completas de jogos no ano fiscal de 2025. Quando quatro em cada cinco cópias já saem sem disco nenhum, manter fábrica, logística e distribuição física vira custo que não se justifica mais, por mais que doa em quem cresceu abrindo caixa de jogo novo.

A mudança abrange God of War, Uncharted e qualquer exclusivo da casa, além de todo título third-party que ainda sair em mídia física até lá. A Sony também confirmou o fechamento gradual da PlayStation Store no PS3 e no PS Vita entre 2026 e julho de 2027, o que reforça a leitura, a empresa está fechando o cerco em cima de tudo que ainda depende de infraestrutura antiga.

Para quem trabalha com desenvolvimento, distribuição ou até revenda de jogo físico no Brasil, o recado é direto. Vale acompanhar de perto porque o modelo de negócio inteiro em torno da mídia física, da fábrica de disco à loja de bairro, tem prazo de validade marcado a partir de agora.