A Sony está refazendo boa parte de Horizon Hunters Gathering, o jogo cooperativo de ação em terceira pessoa que a Guerrilla Games revelou em fevereiro deste ano como aposta em serviço ao vivo dentro do universo de Horizon. Segundo reportagem da Bloomberg publicada em 19 de agosto, a reação de jogadores nos testes fechados realizados entre maio e o meio do ano veio bem abaixo do esperado, e isso levou o estúdio holandês a repensar mecânicas centrais antes de seguir com o desenvolvimento.

O detalhe que chama atenção não é o reboot em si. É o momento em que ele acontece. Horizon Hunters Gathering já tinha trailer de anúncio, trailer cinemático e gameplay reveal circulando desde fevereiro. Ou seja, o jogo já tinha passado pela vitrine pública antes de passar pelo teste que realmente importa, que é colocar gente de fora jogando e ver se aquilo sustenta.

Isso inverte a lógica que qualquer estúdio pequeno aprende cedo. Prototipar e testar o núcleo da experiência vem antes de qualquer anúncio, exatamente porque descobrir tarde que o loop principal não convence custa caro demais. Só que dentro de uma produtora do tamanho da Sony, com calendário de marketing e expectativa de investidor pressionando, a ordem natural parece ter se invertido. Anuncia-se primeiro, testa-se depois, e corrige-se em público quando o teste dá errado.

Fico pensando se isso é falha de processo ou só a consequência inevitável de operar em escala AAA, onde o silêncio de dois anos sem anúncio nenhum é visto como risco maior do que mostrar cedo demais. Se for isso, o problema não é da Guerrilla Games, é estrutural da indústria toda de jogos como serviço.

O que fica mais interessante ainda é reconhecer que, pelo menos dessa vez, a resposta ao feedback ruim foi remontar o jogo, não cancelar silenciosamente ou empurrar pra frente sem mudar nada. Depois do histórico recente de outro projeto da PlayStation adiado sem data definida, dá pra ler isso como a divisão de jogos da Sony realmente levando o próprio processo de teste a sério, ainda que tarde demais no calendário público. Vale acompanhar se esse tipo de correção de rota vira prática ou continua sendo exceção.