A Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo abriu inscrições pro Edital ProAC nº 01/2026, que distribui R$ 32 milhões entre oito projetos de longa-metragem de ficção ou animação, com prazo até às 23h59 do dia 27 de julho. São duas modalidades, cinco vagas de produção e três de coprodução, cada uma garantindo R$ 4 milhões pro projeto selecionado, valor que muda de patamar a viabilidade de uma animação nacional de verdade.
O detalhe que interessa mais de perto quem trabalha com animação é a flexibilidade no formato de inscrição. Em vez de exigir roteiro tradicional como toda produção de ficção, o edital aceita storyboard como material de submissão pra projetos de animação, reconhecendo que o processo criativo desse formato não segue a mesma lógica linear de um roteiro de live action. É um ajuste pequeno no papel, mas que resolve uma barreira burocrática real que historicamente empurrava animadores pra fora desse tipo de edital.
Pra concorrer, é preciso estar registrado como Produtor Brasileiro Independente com certificação da Ancine e manter sede no estado de São Paulo há pelo menos dois anos antes do prazo de inscrição. O longa precisa ter no mínimo 70 minutos, e a execução do projeto pode se estender por até 24 meses depois do pagamento, prazo generoso o suficiente pra dar fôlego real a produções de animação, que costumam levar mais tempo de pipeline do que ficção com atores.
Editais como esse são raros no calendário de fomento brasileiro voltados especificamente pra animação de longa-metragem, um formato que ainda depende quase inteiramente de capital público ou coprodução internacional pra sair do papel no Brasil. Com o mercado de games crescendo 683% em uma década no país, faz sentido que a produção de animação também busque esse tipo de fôlego financeiro estruturado.
Vale acompanhar quem vai concorrer, porque cada um desses oito projetos selecionados representa uma fatia real da próxima geração de animação nacional que vai chegar às telas nos próximos anos.