Até agora, a vitrine de promoções da Steam funcionava em rodízio. Os jogos entravam em espaços de destaque por agenda, ou o próprio desenvolvedor marcava a promoção pelo Steamworks, o painel que a Valve oferece a quem publica na loja. Com a mudança, a Valve pausou novas inclusões manuais, vai honrar as que já estavam agendadas e, a partir do início de 2027, entrega a aba ao sistema de recomendação, que olha o comportamento de cada jogador para decidir o que mostrar.
Os números do teste explicam a pressa. Segundo a Valve, a versão com algoritmo exibiu dez vezes mais jogos por dia do que a curadoria manual e aumentou visitas às páginas, adições à lista de desejos e ao carrinho. No caso mais citado, um jogo independente saiu de 14 visitas em seis meses vindas dessa aba para mais de 7 mil em um mês. Tim Bender, CEO da Hooded Horse, a publisher de Manor Lords, disse que a aba virou uma fonte de tráfego que simplesmente não existia para indies de nicho. A empresa resume o objetivo como mostrar o jogo certo para o cliente certo e promete ferramentas novas para os desenvolvedores administrarem descontos e eventos.
Não consigo tomar partido aqui. A curadoria por calendário sempre favoreceu quem tinha relação, verba ou sorte de pegar um espaço bom, e o algoritmo distribui atenção de um jeito mais democrático, pelo menos nos números. Por outro lado, um sistema que mostra a cada pessoa mais do que ela já gosta tende a estreitar o gosto com o tempo. A pessoa que só joga estratégia vai ver promoções de estratégia, e aquele jogo esquisito de outro gênero que uma vitrine humana colocaria na frente dela por capricho some do caminho.
Os festivais temáticos, como o Steam Train Fest dedicado a simuladores de trem, continuam existindo como eventos com recorte editorial, mas vão disputar atenção com uma porta de promoções que já sabe, antes de você, o que você quer comprar.