Muita gente escolheu o Godot justamente para ficar longe de grandes corporações no controle da ferramenta. Essa história ficou mais complicada esta semana. A W4 Games, empresa fundada pelos criadores do motor open source, anunciou uma rodada Série B de 18 milhões de dólares, e quem liderou foi a Tencent.
A W4 não é o Godot em si. O motor continua sendo um projeto de código aberto, mantido por uma comunidade e por uma fundação sem fins lucrativos. A W4 é uma empresa separada, criada em 2021 por Juan Linietsky e outros mantenedores, que vende serviços em cima do Godot, como ferramentas para empresas, suporte e portes para console. O dinheiro vai para essa camada comercial, não para o repositório.
Ainda assim, o nome Tencent muda a leitura. A gigante chinesa já tem participação na Epic, dona da Unreal, e histórico de investimento em praticamente toda a cadeia de games. Agora ela também apoia o Godot, com um acordo de vários anos para expandir o motor na Ásia. É a Tencent se posicionando em todos os motores ao mesmo tempo, não importa qual vença.
Para quem desenvolve, o efeito prático deve ser positivo no curto prazo. A W4 vai crescer de 30 para cerca de 45 pessoas, com foco em suporte regional e localização, e o Godot ganha estrutura para atender estúdios maiores. Já contei aqui como o Godot vinha ganhando terreno da Unity, e capital ajuda a sustentar esse avanço. Os números acompanham, com mais de 1,2 mil jogos Godot lançados na Steam só em 2026.
O que vale acompanhar é a governança. Enquanto a fundação e a W4 seguirem separadas, com o motor de fato aberto, o modelo se segura. O risco aparece se, lá na frente, quem paga a conta começar a querer opinar sobre o roteiro técnico. Por ora, o Godot ganhou fôlego sem abrir mão do que o tornou atraente.