A chinesa VAST, dona da plataforma Tripo AI de geração de modelos 3D por inteligência artificial, fechou uma rodada Series B e B+ de aproximadamente US$ 446 milhões liderada pela Matrix Partners China. É a quarta captação da empresa só em 2026, sinal de que o mercado de IA generativa 3D deixou de ser aposta e virou corrida de escala.

Simon Song, fundador da VAST
Simon Song, fundador da VAST. Fonte: Forbes under 30

A lista de investidores chama atenção pelo lado estratégico. Ao lado de fundos financeiros como CDH VGC e CMC Capital, entraram publishers de games como Perfect World, 37 Interactive Entertainment e Yanqu Games, além de nomes como a agência de marketing BlueFocus e a fabricante de semicondutores SPC. Não é dinheiro só de quem aposta em retorno financeiro, é dinheiro de quem já usa ou pretende usar a tecnologia dentro do próprio pipeline de produção.

 

O plano declarado pra esse aporte inclui expandir os modelos de fundação 3D nativos, construir infraestrutura de dados em 3D e bancar o poder computacional necessário pra treinar e rodar esses modelos em escala comercial. A empresa também anunciou o preview do Tripo P2.0, avanço que a companhia descreve como um salto de escala pros modelos de fundação 3D nativos, a próxima geração da tecnologia que já entrega peça texturizada a partir de uma imagem ou um prompt de texto em segundos.

Pra quem trabalha em produção de games e animação, o impacto prático ainda está em construção, mas a direção é clara. Ferramentas desse tipo prometem cortar tempo de bloqueio de cena e prototipagem de assets, etapas que hoje consomem boa parte do cronograma de um estúdio pequeno. O risco de qualidade genérica continua existindo, mas a diferença entre uma geração de 2024 e uma geração de 2026 já é grande o suficiente pra publishers grandes decidirem investir dinheiro próprio na empresa, não só testar a API de fora.

Vale acompanhar como esse tipo de aporte muda a concorrência com ferramentas ocidentais como o Meshy. A VAST já tinha caminhado nessa direção desde a rodada anterior, e agora chega com caixa suficiente pra brigar de igual pra igual pelo artista que ainda está decidindo qual ferramenta de IA 3D vai virar parte fixa do fluxo de trabalho.