A Video Game History Foundation mantém, em acesso público, uma biblioteca digital com mais de 30 mil arquivos catalogados de material histórico da indústria de games, disponível em library.gamehistory.org. É revista antiga totalmente pesquisável por texto, catálogo de feira, material promocional e até arquivo pessoal de gente que trabalhou dentro de estúdio como Konami e Acclaim nos anos 1990.
A fundação foi criada em 2017 pelo historiador e preservacionista Frank Cifaldi, num momento em que a indústria de games ainda tratava a própria história como descartável. Enquanto cinema e música construíram arquivo institucional décadas atrás, boa parte do material de produção de jogo clássico simplesmente sumiu junto com o fechamento de estúdio, mudança de escritório ou HD que ninguém fez backup.
O acervo reúne mais de 1.500 revistas fora de circulação, completamente indexadas por texto, além de coleções específicas como o arquivo pessoal de Mark Flitman, produtor que passou por Konami e Acclaim, com material de Castlevania e Maximum Carnage, e um lote grande de documento e vídeo da Cyan, estúdio que criou Myst. Também tem diretório de E3 de anos anteriores, item que virou raridade desde que a feira parou de acontecer.
Buscar um jogo específico dentro da biblioteca funciona como uma pesquisa de texto comum, digita o nome e a ferramenta retorna toda menção em revista, press kit ou documento interno que cita aquele título, com trecho destacado direto no resultado. Pra pesquisador, jornalista ou artista que quer entender como um jogo era vendido ou produzido na época, é um tipo de acesso que simplesmente não existia antes, nem em biblioteca física.
O trabalho da VGHF acompanha um movimento maior de preservação que também aparece em iniciativa como a GOG adicionando jogos clássicos ao próprio programa de preservação. A diferença é que aqui não se trata de manter o jogo jogável, se trata de manter o registro de como ele foi feito, vendido e recebido, o tipo de contexto que some primeiro quando ninguém cuida dele.