O Adobe Substance 3D Designer 16 chegou em abril com várias novidades e a maioria das coberturas destacou os Shape Splatter v2 e o toolkit de Signed Distance Fields, dois recursos relevantes e bem documentados. Fico me perguntando, porém, se a mudança mais significativa da versão não está justamente no que recebeu menos atenção, que é a migração completa para o padrão OpenPBR e o encerramento definitivo do Adobe Standard Material e do Iray renderer.

O OpenPBR não é um produto da Adobe, mas uma iniciativa da Academy Software Foundation com participação da Adobe e da Autodesk, criada para estabelecer um padrão aberto de materiais físicos que funcione de forma consistente em qualquer renderer que o adote. Na prática, isso significa que um material criado no Substance pode, em tese, ir para o Maya, para o Blender, para o Cinema 4D, sem precisar ser refeito do zero a cada troca de ferramenta.

E é aqui que entra algo que acho genuinamente curioso, porque a indústria passou anos construindo padrões incompatíveis, cada empresa com seu próprio modelo de material e cada renderer com suas próprias regras, e agora que começa a convergir em algo comum, a conversa ainda está toda concentrada em IA e renderização neural. Talvez faça sentido, porque padronização é menos fotogênica, mas a infraestrutura costuma importar mais do que parece no momento em que chega.

O que me chama atenção é que o OpenPBR endereça diretamente o retrabalho de material entre ferramentas, aquele problema que artistas 3D convivem há muito tempo sem dar nome claro a ele, e quem já precisou recriar um shader inteiro porque mudou de renderer sabe exatamente o custo disso. Com um padrão aberto adotado pelas principais ferramentas do pipeline, esse atrito começa a diminuir e acho que levamos algum tempo ainda para perceber o impacto real no dia a dia.

A questão que fica é se outros players vão realmente adotar o OpenPBR com consistência ou se o padrão vai se tornar mais um item de marketing nas notas de release, porque a história da computação gráfica tem vários exemplos de iniciativas de interoperabilidade que funcionaram no papel e não na prática, e seria ingênuo assumir que desta vez será diferente só porque a Adobe e a Autodesk estão juntas.