A pergunta que rondava o Xbox nas últimas semanas recebeu resposta direta. Em entrevista ao The New York Times, publicada no fim de setembro, Asha Sharma, que assumiu a divisão de games da Microsoft no lugar de Phil Spencer, afirmou que o Xbox não está à venda. Ela completou dizendo que a empresa vai fazer o que for preciso para preparar o negócio para o sucesso, olhando para as parcerias certas e o modelo operacional certo.

O boato tinha base. Reportagens da Reuters e do The Information falaram em estudos internos para separar o Xbox ou mudar a estrutura societária da divisão, mantendo a Microsoft como parceira próxima. Ao mesmo tempo, a reestruturação comandada por Sharma tirou estúdios do guarda-chuva do Xbox, com Halo indo para a Activision Blizzard e a Obsidian passando para a Bethesda. Segundo contagem do Game Developer, a Microsoft já cortou mais de 5.750 vagas em games em três anos.

Eu leio a declaração como sincera e, ao mesmo tempo, cuidadosamente aberta. Dizer que algo não está à venda hoje é diferente de prometer que a estrutura atual vai durar. Quando a CEO cita parcerias e modelo operacional na mesma frase, ela deixa espaço para joint ventures, licenciamento de marca, levar jogos para outras plataformas e até sócios em partes do negócio, sem nada disso ser uma venda.

Para o jogador brasileiro, o efeito prático está no catálogo. O Game Pass segue sendo o centro da estratégia, Gears of War: E-Day chega nesta terça-feira com boas notas e a empresa continua lançando seus jogos no PS5 e no PC. A dúvida está na marca de hardware, já que cada movimento recente reforça o Xbox como editora multiplataforma antes de fabricante de console.

A última fase dos cortes foi a mais simbólica, quando o Xbox cortou 268 vagas e entregou o próximo Halo para a Activision. Sharma falou ao Times em entreter um bilhão de pessoas com o ecossistema Xbox, uma meta que não cabe só em quem compra console.

Daqui para frente, eu acompanharia dois sinais concretos, o próximo relatório trimestral da Microsoft, previsto para o fim de outubro, e qualquer anúncio de parceria envolvendo o hardware do Xbox. São eles que vão mostrar o que a frase da CEO quer dizer na prática.