O Caddis é uma ferramenta nova de motion graphics e composição criada pelo designer Mike Gaynor, agora fora do beta e disponível para Windows, macOS e Linux. A proposta é juntar dois modelos de trabalho que quase nunca convivem no mesmo software, a linha do tempo com camadas empilhadas, no estilo After Effects, e o grafo de nós procedural, no estilo de ferramentas como Nuke e Cavalry.

Na prática, cada camada do Caddis carrega um grafo de nós próprio. Ao selecionar uma camada na timeline, o grafo correspondente aparece num painel ao lado do visualizador. O artista continua organizando a animação em camadas e keyframes, o jeito que a maioria aprendeu, mas quando precisa de algo mais complexo, um efeito que reage a dado, uma repetição controlada, uma cadeia de transformações, ele monta ali dentro. Não precisa migrar o projeto inteiro para um paradigma diferente só para fazer uma parte procedural. A versão 1.0 traz mais de 130 nós.

 

Procedural node graphs
Procedural node graphs

O contexto ajuda a entender o timing. O After Effects domina motion graphics há mais de vinte anos, dentro do pacote de assinatura da Adobe. O Caddis custa 129 dólares em pagamento único, e o modelo é curioso: o app fica gratuito para sempre, e a licença só desbloqueia a exportação. É o mesmo movimento de fundo do ArmorPaint, que chegou como alternativa aberta ao Substance Painter, em nichos diferentes mas com a mesma lógica de mercado.

 

Ferramenta nova nesse espaço tem barreira alta, porque motion designer trabalha com prazo apertado e não gosta de aprender interface do zero. O Caddis tenta contornar isso mantendo a parte familiar e escondendo a complexidade dentro de cada camada. A maioria das alternativas de After Effects acaba no território de ferramenta de experimento, usada em projeto pessoal mas raramente em produção com prazo. O Caddis vai precisar de mais que um bom conceito para escapar disso.