A Califórnia liberou US$ 71,6 milhões em créditos fiscais pra quatro produções de animação de Disney, DreamWorks e Pixar, marcando a primeira vez que o programa estadual de incentivo ao audiovisual inclui animação na lista de categorias elegíveis. A mudança faz parte da expansão do programa pra US$ 750 milhões por ano, aprovada em 2025, que passou a valer de fato agora em 2026.

Entre os projetos contemplados estão Donkey, spin-off de Shrek estrelado por Eddie Murphy, que recebeu US$ 19 milhões, um longa ainda sem título da Pixar, que ficou com o maior valor individual, US$ 26,7 milhões, na esteira do sucesso recente de Toy Story 5, que chegou aos cinemas em junho, e Hexed, produção da Disney com Hailee Steinfeld e Rashida Jones. No total, os quatro projetos fazem parte de uma leva de 41 produções contempladas nessa rodada, somando US$ 187 milhões em incentivos.

O motivo por trás da mudança é direto. Animação sempre foi uma das áreas mais fáceis de terceirizar geograficamente, já que boa parte do trabalho técnico não depende de filmagem física num local específico. Estados e países com incentivo fiscal agressivo, como Canadá, Geórgia e Reino Unido, vinham absorvendo cada vez mais desse tipo de produção, mesmo de estúdios historicamente enraizados na Califórnia.

A expectativa oficial é que só essa leva gere US$ 711 milhões em impacto econômico dentro do estado, incluindo US$ 145 milhões em salários qualificados e mais de 1.900 postos de trabalho entre elenco e equipe técnica. É um movimento que sinaliza que governos estão finalmente tratando produção de animação com o mesmo peso estratégico que sempre deram pra live action, algo que a indústria criativa vinha pedindo há anos.

Vale acompanhar porque, se o modelo funcionar, é bem provável que outros estados americanos comecem a copiar a inclusão de animação nos próprios programas de incentivo, disputando esse tipo de produção do mesmo jeito que já disputam filme e série com atores de carne e osso.