Nenhum dos seis prêmios que brasileiras levaram no GameHERs deste ano foi por um jogo, e isso diz bastante sobre onde o trabalho de base costuma acontecer. O The GameHERs Awards, iniciativa internacional voltada a mulheres na indústria de jogos que existe desde 2019, anunciou em 6 de outubro as 100 vencedoras de 2026, dez em cada uma de dez categorias. O Brasil saiu com seis reconhecimentos em quatro categorias, divididos entre cinco profissionais, como registraram o Indie Brasilis e o Catraca Livre nesta semana.

Cristiane Jade e Lia Shizue Pauli Fuziy foram premiadas juntas em TrailblazeHERs in Gaming, categoria para quem abre caminho dentro do setor. As duas começaram organizando eventos de games ainda na faculdade. Lia levou um segundo prêmio, Impact Through Education, que a própria organização descreve como o reconhecimento de quem ensina games como carreira real, dentro e fora da sala de aula. Ela é educadora e participa de iniciativas de formação como o GameDev ToolKit e o EAI Jogos. Sofia Bedeschi ganhou em Advocates for Representation, pelo trabalho por uma comunidade de jogos mais representativa, e Alicya Morais e Patricia Lima receberam o GameHERs Student Impact Award, voltado a projetos que nascem no ambiente acadêmico.
Olhando a lista, o que se vê é gente que organiza, ensina e acolhe. Talvez seja aí que a cena brasileira está mais madura do que a sua produção comercial, que ainda luta por dinheiro e distribuição. Faz sentido com o que vem acontecendo por aqui, de comunidades como o Eu Crio Jogos espalhadas por 23 estados a cursos e game jams que formam gente nova todo semestre. Esse trabalho raramente vira manchete, porque não tem trailer nem data de lançamento.
Tem também um paradoxo incômodo. Uma premiação só para mulheres existe porque a indústria ainda não enxerga essas profissionais sozinha, e cada edição que celebra nomes novos também confirma que o problema continua aí. O prêmio vale do mesmo jeito, e mede também quanto ainda falta.
Fico com os nomes das duas estudantes, Alicya e Patricia, na cabeça. Daqui a alguns anos elas podem estar liderando equipes, ensinando outras turmas ou, quem sabe, assinando um jogo brasileiro que finalmente vai para o palco por conta própria.