Quem tenta fazer jogo fora de São Paulo conhece bem o problema. A comunidade da sua cidade existe, faz game jam, troca dica no Discord, mas quase ninguém do outro lado do país sabe que ela está ali. O Movimento Eu Crio Jogos nasceu para atacar justamente esse isolamento, e o primeiro balanço divulgado nesta semana pelo IndieBrasilis já mostra 51 comunidades de desenvolvimento de jogos cadastradas em 23 dos 27 estados brasileiros.

O formato é o que mais me agrada. O movimento se define como uma rede descentralizada, sem CNPJ, sem conta bancária, sem dono e sem liderança central, e deixa claro que não quer substituir associação nenhuma. A ideia é ligar o que já existe, incluindo grupos regionais como o BelJogos, e fazer o conhecimento e as oportunidades circularem entre regiões que hoje mal conversam.

Na prática, o site eucriojogos.com.br tem três ferramentas. A primeira é o diretório, com uma página para cada comunidade. A segunda é um mural de eventos, game jams e editais, com a regra de que cada item publicado seja conferido em pelo menos duas fontes antes de entrar no ar. A terceira é um mapa em que o próprio desenvolvedor marca onde está e mostra o que produz, inclusive protótipo que ainda não virou jogo. Comunidades, jogos e oportunidades podem ser cadastrados por formulário, e o perfil no Instagram, @eucriojogos, puxa a hashtag #EuCrioJogos.

O momento ajuda. Com o Marco Legal dos Games regulamentado e editais públicos começando a sair do papel, quem está fora dos grandes centros costuma perder prazo simplesmente por não ficar sabendo. Um mural checado e aberto resolve uma parte desse buraco sem depender de verba de ninguém.

Os quatro estados que ainda não aparecem no mapa são a próxima fronteira do projeto. Se você participa de um grupo de game dev, mesmo pequeno, cadastrar a comunidade leva poucos minutos e coloca o seu estado no mapa da produção brasileira de jogos, que é o tipo de visibilidade que costuma virar convite para evento, parceria e vaga.