O Maxon anunciou o Cinema 4D 2026.2 em abril e, junto com atualizações como o Redshift Live, revelou o beta do Cinema 4D para iPad no NAB 2026. A empresa deixou claro que a nova versão mobile não é uma versão lite do software, mas o Cinema 4D completo com interface otimizada para toque, compatível com os mesmos projetos do desktop. E aí começa uma questão que não para de me interessar.

Para funcionar, o Cinema 4D para iPad precisa de pelo menos um chip M2, com a Maxon recomendando M3. Isso parece uma nota técnica de rodapé, mas para mim é uma das frases mais reveladoras que a empresa poderia ter escrito naquele comunicado porque o que o M3 que a Maxon recomenda é mais rápido do que qualquer laptop que a maioria dos artistas 3D usava como workstation em 2021. O hardware chegou até aqui, e eu fico me perguntando se a indústria de software percebeu isso na mesma velocidade em que o hardware evoluiu, ou se o Maxon só agora se sentiu confortável para seguir o que já estava acontecendo.

A versão para iPad não vai substituir o desktop para renderizações pesadas, e a Maxon deixou claro que o foco está em modelagem e design, não em pipeline de produção completo. Mas essa não é a questão mais interessante, que é o que acontece quando o software começa a se desapegar de uma categoria específica de hardware.

No mesmo ciclo, o Cinema 4D 2026.2 trouxe o Redshift Live, um motor de renderização em tempo real que substitui o Redshift RT. Isolado, parece menor do que o anúncio do iPad, mas os dois apontam para a mesma direção, criação e renderização que respondem imediatamente e que não dependem mais de uma máquina fixa.

Talvez o Cinema 4D para iPad seja um produto de nicho que vai agradar um público menor do que o que a Maxon imagina. Ou talvez a gente olhe para trás daqui a alguns anos e perceba que foi aqui que começou a conversa sobre onde o trabalho 3D profissional realmente acontece.