"Existem contratos realmente abismais para jogos que não merecem isso", disse Forest Willard, cofundador e programador da Innersloth, o estúdio de Among Us, numa conversa com o Game Developer publicada em 20 de outubro, durante o Seattle Loves Indies Creator Expo, evento de desenvolvedores independentes em Seattle. Willard cuida do Outersloth, fundo que a Innersloth criou para investir em jogos de outros estúdios com o dinheiro do sucesso de Among Us, e por isso lê muito contrato que outros desenvolvedores estão assinando.
Ele não deu exemplo de nenhum acordo específico, mas foi direto sobre quem culpa. A responsabilidade, na visão dele, é de quem oferece, e quem assina merece compreensão, porque conseguir fazer o jogo dos sonhos já é uma vitória para muita gente. Também contou que já pensou em se oferecer para assinar com estúdios presos em contratos ruins e desistiu ao imaginar a quantidade de pedidos de socorro que receberia. Comparou a situação a uma crise de reféns.
A parte que mais pesa é a admissão de limite. Perguntado se o Outersloth consegue ser uma rede de proteção para os indies, respondeu que só de vez em quando, e que nunca vai ser suficiente. Um fundo nascido de um dos jogos mais jogados da última década reconhece que não muda o mercado sozinho.
O Game Developer liga a fala de Willard à de Tim Bender, CEO da Hooded Horse, publisher de jogos de estratégia como Manor Lords. Bender defende que o contrato deve colocar o risco em quem tem mais condição de absorvê-lo, e diz que muitas publishers empurram os desenvolvedores a aceitar migalhas a não ser que o jogo vire um sucesso enorme. São duas pessoas do lado do dinheiro dizendo a mesma coisa sobre o próprio lado.
Por aqui, a conversa ganha outro peso. Para estúdio brasileiro pequeno, publisher costuma ser a única porta para localização, divulgação e presença em loja, e há casos como o de Outlast, que passou 18 meses sem publisher e saiu por conta própria, que mostram o preço das duas escolhas. Se você já negociou com publisher, quero ler nos comentários qual cláusula mais pesou na sua decisão.